Eu, ex-fumadora me confesso

De há um ano a esta parte que este gesto deixou de fazer parte do meu quotidiano.
Decidi que deixaria no fim de Maio, e assim foi. Ainda me lembro de ter saído para tomar café depois de jantar e de fumar os meus últimos cigarros, do último maço. Não me souberam melhor ou pior, simplesmente como todos os outros que acompanharam boas conversas, noitadas de copos e trabalho, momentos de felicidade e de angústia, stress'es e aventuras, roubados, partilhados ou mesmo misturados.
No dia seguinte não comprei mais, nem no a seguir, nem depois. Fui de férias para casa de uma amiga que não fuma, visitar a minha querida M. e Londres... Refugiei-me das noites por uns tempos, o tempo suficiente para descobrir com que ocupar as mãos, para saber com que acompanhar uma boa conversa, para saborear o meu Cutty Sark só com gelo, para reconhecer no café o ponto final de um maravilhoso jantar.
Ganhei no paladar apurado, numa melhoria do olfacto, melhorei das noites de garganta seca e das manhãs de língua de papel de música, ganhei na capacidade respiratória (que não tenho aproveitado no ginásio), ganhei na inveja que sinto sempre que, naqueles momentos em que me apetece muito, mas mesmo muito, olho à volta e vejo alguém a acender um cigarro, ganhei uma luta para o resto da vida.
Mais um desafio, a segunda corrida de fundo que me levará pela estrada fora! E, um ano depois, só posso dizer que ainda estou à porta do quarto, não cheguei sequer à rua.













