rosa carne

escrevinhando...

sexta-feira, março 31, 2006

...174, 175, 176...

Não sou, nem nunca fui, muito dada às insónias. Sempre fui mais do género de cair na cama, adormecer e acordar já na manhã seguinte a maldizer o despertador por me arrancar do sono.

Mas, de quando em vez, por algum estado de ansiedade ou de excesso de cafeína, lá calha que o sono teime em não vir e me reste como último recurso virar e revirar-me na cama, testar todas as posições infalíveis para adormecer, rever mentalmente todos os afazeres do dia seguinte, simular uma ou outra conversa passada ou futura que gostaria que tivesse decorrido de uma outra forma e... nada! Um olho, dois olhos firmemente abertos.



É algures por estas páginas que me lembro do truque dos carneirinhos e começo a contar. Quanto à parte lírica de os visualizar a pular a cerca, já me deixei disso há muito tempo que a visualização nunca foi o meu forte. Mas o facto é que resulta, que me lembre nunca passei dos trezentos e por volta dos 170 já me baralho toda e já tenho que me concentrar para contar direito mentalmente. Ou isso ou então é mesmo o adiantado da hora, que, como boa solução de recurso que é esta dos carneirinhos, só me lembro dela quando o desespero já vai muito avançado.

decor

Estores japoneses, organzas, almofadas de sueder, tapetaço... e ficou tudo tudo muito bem!
Ai que vontade de ir para lá já hoje!

quinta-feira, março 30, 2006

(Hiper)mercado

Ir às compras do dia 30 do mês assemelha-se a uma gincana por entre carrinhos de compras de clientes e carrões do hipermercado para re-abastecer os lotes.

Corrida de obstáculos extenuante com direito a um merecido descanso já na fila para a caixa.

quarta-feira, março 29, 2006

livros que eu leio (7/2006)

A ilha dos jacintos cortados – Gonzalo Torrente Ballester



Entrei na Fnac em busca de um livro que agarrasse, mais do que os que aumentam a pilha de livros para ler que anda lá por casa e após muito procurar sem nada me entusiasmar, perguntei a uma assistente:
- Gosta de ler?
Os seus olhos brilharam com a pergunta e respondeu-me:
- Sim, claro, gosto muito.
- Diz-me um livro que a tenha apaixonado recentemente?
Ela olha para as estantes e vê a re-edição do Don Juan e fala-me, com os olhos a brilhar de Gonzalo Torrente Ballester, um escritor fantástico. Fala-me dele e de um outro escritor espanhol de que me não lembro do nome e cujo livro que ela preferia estava de momento esgotado.

Fiquei-me portanto pelo Ballester, aconselhou-me o Don Juan (que não trouxe por pensar ter cá por casa) e um outro, qualquer coisa com a Alice no País da Maravilhas ou a Bela Adormecida que não encontrei na livraria naquele dia (hoje, pesquisando na bibliografia do autor interrogo-me se seria “A bela adormecida vai à escola”). Agradeci-lhe e comecei a correr as páginas dos livros do autor que estavam disponíveis e escolhi este “A ilha dos jacintos cortados”.

De início arrebatou-me pela história dentro da história, mas a prosa densa, corrida e sem paragens de diálogos, cansou-me, não se adequava ao pouco tempo de leitura antes de adormecer de que dispunha naqueles dias. Agora, voltei a pegar-lhe e a redescobrir as personagens das duas histórias. O livro desenvolve-se numa carta a Ariadne, uma estudante por quem o narrador está apaixonado e com quem divide a casa na ilha dos jacintos cortados. Mas, Ariadne está apaixonada por Claire, um outro docente, descendente do poeta inglês Sir Ronald Sidney, e cuja tese mais recente é a defesa de que Napoleão nunca existiu, foi uma personagem inventada por um conjunto de mentes iluminadas à época da revolução francesa face à necessidade de atribuir à revolução um rosto, um líder, alguém com quer lutar e a quem derrotar.

Por via da técnica de mergulho no passado através dos espelhos, aprendidas pelo narrador do conde Cagliostro, ele próprio imortal, mergulhamos no passado de uma ilha ao largo de Itália, a ilha da Górgona, onde tem lugar uma intriga deliciosa, que culmina na descoberta da trama em torno de Napoleão. Esta história de amores, traições, luxúria e conspirações políticas decorre em paralelo com os amores por Ariadne, realidade e ficção que se tocam.

Não me apaixonaram estes jacintos, qualquer dia tenho que dar uma chance ao Don Juan, para confirmar a sugestão.

coisas de que eu gosto #22



Há alguma coisa melhor que um bom duche, com água morna e o meu sabonete preferido?

terça-feira, março 28, 2006

recomeçar

Sentar no banco, pôr as mãos no volante, ajustar os espelhos que, apesar de não terem sido mexidos, me pareceram todos ao contrário, rodar a chave e, pronto, lá fui eu.

Por muito que eu reclame sempre do trânsito e de como detesto conduzir, estas quase duas semanas sem poder agarrar na chave e ir onde me apetecesse reconciliaram-me com os condutores todos que alguma vez insultei, com as filas e as horas de ponta. Isto porque, para se começar devagarinho se sugerem viagens nas localidades e fora das horas de ponta.

Devagar devagarinho, isto cá vai de volta ao normal.

segunda-feira, março 27, 2006

barrigada


de passeios de mãos dadas, de mimos, beijos e abraços, carinhos e amor, olhos que riem... de tanto...

domingo, março 26, 2006

musicól

Fiona Apple e o genial Extraordinary machine, primeiro tema de uma compilação maravilhosa que preparaste para nós.
S(w)ing along.

Frasier sunday

De canal em canal, com o comando firme numa mão, deitada no sofá e com o livro a descansar na mesinha parei na SIC Comédia e deixei-me ficar a ver os primeiros episódios da 1ª temporada do Frasier. Nunca tinha visto os primeiros episódios, e o facto de tudo começar com o pai do Fraiser a mudar-se para casa dele, levou-me para outras considerações.

Quando decide acolher o pai na sua casa, Frasier tem que se habituar à ideia de que tem alguém mais com quem partilhar o seu espaço, que quando acordar (lento e mal humorado) já vão andar pessoas a pé na casa, que a vinda do pai vai implicar que re-arraje a mobília da casa e mais que tudo, lhe vai roubar a solidão que tanto preza e o modo de vida que estava a começar a construir para si. Vai também aprender a distinguir partilha de intromissão e, no meio de tudo, tentar reatar uma relação com o pai, descobrir pontos de interesse comuns, tomar consciência de que se ele é importante para o pai, também o pai é importante para si.

Partilhar o espaço nem sempre é fácil, e, sinceramente, é uma das coisas que mais me assusta. Sempre me habituei a ter a casa toda para mim, viver em todas as divisões durante a noite, e, se bem que de vez em quando me agrada a ideia de as dividir, também me questiono sobre como reagirei se tiver que abdicar da minha solidão.

Mas, também acredito que é uma questão de encontrarmos espeço para a nossa paz e o nosso sossego e que, a maior parte das vezes, essa paz e esse sossego que tanto procuramos é mental, muito mais que físico. E para aí chegarmos, a companhia certa é sempre uma grande ajuda.

livros que eu leio (6/2006)

Os limites do encantamento - Graham Joyce



Aqui está um livro fantástico, na verdadeira acepção da palavra. O autor é conhecido pela sua obra no género fantástico e ganhou mesmo o World Fantasy Award com o seu livro anterior.

Este é um livro sobre a difícil convivência, nos anos 60, da medicina tradicional com a medicina “científica”. Fern é uma jovem que vivem com a Mammy, sua mãe adoptiva e curandeira e parteira da vila. Com ela aprende de tudo um pouco sobre ervas e curas e a exercer a actividade de parteira.

Com a doença e o descrédito súbito da Mammy, Fern encontra-se por sua conta, a ter que arranjar forma de pagar as rendas da casa em atraso, a sobreviver, a viver com os novos vizinhos hippies, a visitar a Mammy no hospital e a decidir se efectivamente pretende fazer “O pedido” e tornar-se uma das escolhidas.

É um livro que eu gostaria de ter lido em inglês para não perder as expressões que se perdem inevitavelmente na tradução, e para ficar ainda mais perdida nos nomes de todas as substâncias e espécies vegetais e animais que vão sendo referidas nos passeios da Fern aos bosques. Recomendável a todos os que se interessam por medicina tradicional e pelos “old ways”, e a todos que pretendem uma boa história.

sexta-feira, março 24, 2006

Posídon e Anfitrite



Diz a lenda e acreditavam os locais que Posídon e Anfitrite se casavam de mil em mil anos e nesse dia se deslocavam a uma gruta luminosa, donde emana a fonte que deu fama à ilha de Górgona desde a Antiguidade.

No dia em que se cumpriam mais mil anos irromperam do mar, no carro de Posídon, precedidos de um esquadrão de golfinhos, e acompanhados por uma pequena corte de tritões e nereides, perante o espanto dos latinos (italianos) e a veneração dos gregos, habitantes de Górgona.

A razão porque renovavam os votos a cada mil anos, escapa-nos a nós mortais. Eu arriscaria que se deve às dúvidas iniciais que Anfitrite teve quanto ao casamento com Posídon, tendo fugido e sido depois convencida por um golfinho a desposar o rei dos mares. Diz a astrologia que foi a partir desse golfinho que nasceu a constelação de peixes.

a importância da língua

As notícias do dia percorriam o ecrán da televisão, quando de repente a minha atenção se foca em Jacques Chirac que afirma ter saído da sala onde decorriam os trabalhos por um compatriota francês se ter dirigido à audiência em inglês, a "língua dos negócios".

Chirac insurgiu-se e abandonou a sala, um francês deve falar em francês, não existe "uma língua dos negócios". (veja-se a notícia do Le Monde aqui).

E se fosse um português? Em que língua se dirigem aos seus pares os nossos representantes? Bem sei que o português não tem a força da língua inglesa, do alemão ou do francês, mas abdicar dela não será uma primeira perda da individualidade?

a falta que me fazes

Tenho vindo a aprender a viver contigo ao meu lado, com a tua companhia, com as nossas conversas e os nossos passeios, com os carinhos, os mimos, as zangas de quando em vez.

Tenho construído a vida dentro da tua vida, contigo, para que todos os dias vivamos as nossas vidas um pouquinho mais em conjunto.

Agora que passo estes dias com a tua voz ao telefone, os teus mimos fantasiados, mal posso esperar por te agarrar e te mimar a sério, carne com carne, pele com pele, sentir o teu cheiro e o teu toque, conversar, contar-te o que já te contei milhares de vezes ao telefone, matar saudades de tu.

musicól

Estou apaixonada pelo novo trabalho da Marisa Monte, Infinito Particular.
Como o Filelodge está em baixo, sugiro-vos uma visita ao site oficial, onde podem ouvir uma demo de todos os temas.
De seguida vou-me dedicar ao segundo disco (sim, são dois!), Universo ao meu redor, e se o Filelodge deixar eu venho cá actualizar com as minhas favoritas.

Mas, não esperem por mim, vão lá e deliciem-se.

quinta-feira, março 23, 2006

privilégio

Ouço a chuva e o vento lá fora.
Abro um olho e escuto...
...
Aconchego-me e volto a dormir.

quarta-feira, março 22, 2006

leituras

Ando totalmente viciada em livros e em leituras, como há muito não tinha oportunidade de me viciar.

Aliamos a esta vontade a disponibilidade de uma recuperação no calor do lar, a chuvinha lá fora e o marasmo da televisão portuguesa e/ou cabo durante a tarde e temos como resultado páginas e páginas devoradas e posts orientados para as letras dos livros.

Como tal dou por mim a rearranjar o monte na minha mesinha de cabeceira, a ordenar as preferências, a ler o livro de hoje com o canto do olho no que se seguirá, sempre com o Brad Pitt (vivam os postais grátis com os posters dos filmes) por entre as páginas a deitar um olho ao que eu vou lendo.



Vício bom este!

terça-feira, março 21, 2006

livros que eu leio (5/2006)

A sombra do vento - Carlos Ruiz Zafón
Uma história inesquecível sobre os segredos do coração e o feitiço dos livros



Este livro fantástico agarra-nos nas primeiras páginas e leva-nos à boleia no seu vento bem até à última.

Começa com o cemitério dos livros, a magia que os livros podem ter nas nossas vidas, como nos consomem e como vivem dentro da nossa cabeça e alimentam a nossa imaginação por dias sem fim, enquanto nos acompanham e, depois, quando viramos a última página e nos deparamos com a contracapa, a imaginação foge para esses cenários entretanto criados, para o mundo das personagens dos outros, para as vidas de outras vidas. Ahhh, que delícia...

Daniel é um rapazinho que descobre num livro o seu alento, a busca que o ajuda a crescer e a descobrir emoções, amizades, amor. Apaixona-se pela história de outro, de Julian Carax, e com ela, constrói a sua.

Barcelona é o palco, chuvosa e nublada, com as suas calles, as ramblas, com o cheirinho a outros dias, a um passado de uma grande cidade. Aumenta a minha vontade de conhecer a cidade e de deambular pelas ruas, ver a Sagrada Família, descobrir as livrarias e os alfarrabistas.

A história desenvolve-se num crecendo, que nos apanha e nos leva de pormenor em pormenor, à medida que se descobre mais um pouco da história de Julian, dos seus amigos e inimigos, à medida que Daniel avança nas suas investigações e nos apresenta os seus amigos, as suas dúvidas e os seus avanços.

Recomendável a todas as mesas de cabeceira, sob pena de tirar horas de sono.

primavera

Espero ansiosamente a vinda do sol, das cores alegres, do calor.

Aprecio o desabrochar de pequenas flores (que regrediu um pouco com a chuva dos últimos dias), planeio plantar uma árvore.

Aguardo os pares apaixonados, as mãos dadas, as setas do cupido e as borboletas na barriga que tendencialmente atingem homens e mulheres em todas as Primaveras.

Procuro as andorinhas vindas de outros calores, de volta aos nossos beirais, preparadas a construirem por cá ninhos e famílas.

Participo do renascer da vida com o renovar das estações, inicio um novo ciclo, sorrio, e apesar da chuva lá fora, tenho a certeza de que a minha Primavera chegou.

segunda-feira, março 13, 2006

do querer

Há dias em que acordo a maldizer a minha incapacidade para mudar o mundo.
Noutros dias é-me permitido investir na mudança do meu.

musicól

I'm a believer, de todas a música que mais condão tem de me deixar feliz.

livros que eu leio (4/2006)

Norwegian wood - Haruki Murakami



A história de Toru Watanabe, Naoko e Midori leva-nos para o mundo das decisões da vida, dos amores possíveis e dos impossíveis. Do quando nos custa abandonar os impossíveis, reconhecê-los como tal e apreciar os possíveis, abrir-lhes o coração e vivê-los intensamente.

Murakami aborda de uma forma muito particular a cultura japonesa, penso que todos aqueles que já se interessaram pelo Japão e que vão ouvindo, lendo e vendo documentos sobre aquele país, reconhecem de imediato que não poderiam ser de outra nacionalidade os protagonistas: pelas descrições, pelos transportes, pelos hábitos, pela residência universitária, pelos rituais e quotidianos descritos.

Um livro também sobre a loucura e a depressão, sobre o suicídio como remédio para todos os males. Sobre a solidão de um rapaz que acaba por se relacionar com apenas 3 pessoas na gigantesca cidade de Tóquio, sobre o seu desespero quando estas o abandonam, até mesmo quando tenta escrever-lhes.

Uma história de amores, de uma rapariga “verde” (de nome) que só pretende amar e ser amada e ser aceite como é, excêntrica, amalucada, irreverente.

P.S.: A partir do momento em que apareceu a Midori, passei a apostar no amor possível, é fantástico quando um livro me transporta para a sua realidade e me leva a tomar partido das suas personagens e a desejar avidamente que o final seja aquele que eu pretendo.

quinta-feira, março 09, 2006

musicól

Muitos dias se passam em que ouço música por habituação, porque é meu hábito ligar o rádio mal entro no carro. Outros ainda se passam sem que sequer me lembre de o ligar, de tão embrenhada que ando nos meus pensamentos.

Por estes dias tem-me dado uma saudade de música, uma vontade de agarrar os discos que andam no carro e os levar para ouvir no pc... vou-me contendo por respeito às colegas e por incapacidade de trabalhar com phones enfiados nos ouvidos.

Mas vou pensando nas canções, naquela que me apetecia mesmo ouvir, mortinha por chegar a casa para matar a sede de sons, vozes e canções.

2ª fase

ou o sucesso da máquina fiscal e do cruzamento de dados.

segunda-feira, março 06, 2006

livros que eu leio (3/2006)

Quando Nietzsche chorou - Irvin D. Yalom


Este é um livro sobre a auto-descoberta, sobre o aprendermos, primeiro, a falar sobre os nossos problemas, e depois, a descobrir e entender a sua origem para podermos saber como ultrapassá-los.

Uma ficção do nascimento da psicanálise que se torna numa fantástica abordagem da amizade, da proximidade, dos fantasmas de todos nós, tão diferentes e, no fundo, tão similares. E as mulheres, ah as mulheres, tão presentes.

Um filósofo e um clínico na busca da cura, do auto-conhecimento.

"Nietzsche: Apesar disso, Josef, evita a minha pergunta. Viveu a sua vida? Ou foi vivido por ela? Escolheu-a? Ou escolhe-o ela a si? Amou-a? Ou lamentou-a? Eis o que quero dizer quando pergunto se consumiu a sua vida. Esgotou-a? Lembra-se do sonho em que o seu pai presencia, impotente, rezando, uma qualquer calamidade que caiu sobre a sua família? Não será como ele: impotente, lamentando a vida que nunca viveu?
(...)
Josef Breuer: Essas perguntas... sabe a resposta. Não, não escolhi! Não, não vivi a vida que queria! Vivi a vida que me foi atribuída. Eu, o verdadeiro eu, fui encaixado na minha vida.
N: E isso é, Josef, creio eu, a principal fonte da sua angústia. Aquela pressão precordial... é porque o seu tórax está a explodir de vida não vivida. O tiquetaque do seu coração marca o tempo que se esvai. A avidez do tempo é eterna. O tempo devora, sem dar nada em troca. Que terrível ouvi-lo dizer que viveu a vida que lhe foi atribuída! E que terrível encarar a morte sem nunca ter reivindicado a liberdade. mesmo em todo o seu perigo."

É esta liberdade, este alívio da angústia, que ambos procuram, cada um à sua maneira, cada angst com os seus contornos.

musicól

Em tempo de óscares, com os parabéns à menina Reese, I Walk the line, by Mr. Johnny Cash.

quarta-feira, março 01, 2006

humor

Recebi por mail um video a parodiar os casamentos e a insatisfação das mulheres. No vídeo, o Chris Rock dizia que não era possível fazer uma mulher feliz, que não conhecia nenhuma mulher feliz.

Será que este estado de infelicidade é uma herança genética ou hormonal? Serão todas as mulheres dadas a estados de humor e à insatisfação permanente?

Serei, afinal, normal?

A volatilidade do humor é, de todas as coisas, a que pior consigo controlar.

calendário

Os dias passaram a quadrados numa folha branca. Cada dia que passa espero pintar mais um quadrado de um verdinho, na certeza de que a cada dia faltam cada vez menos quadradinhos para colorir.

É como se todos os dias colocasse um traço ao alto numa parede qualquer para no final da semana recomeçar um novo conjunto. Ao invés de contar os dias que passam, pretendo contar os que faltam, os quadrados por colorir.

Entretanto, adapto-me à cadeira alta, ao telefone emprestado, aos ruídos de fundo, ao café que sai desta máquina, aos controlos de acessos e a uma chave adicional na carteira. Adapto-me devagar, que os quadrados querem-se coloridos rapidamente, como se não chegasse a haver necessidade para habituação, que em breve a cadeira será outra, as pessoas serão diferentes, num outro quadrado em branco à espera de ser colorido.